Em 2026, o sucesso das empresas continua a depender, cada vez mais, da sua capacidade de assegurar competências decisivas num contexto em permanente transformação. A rápida evolução da inteligência artificial e de outras tecnologias emergentes, aliada à crescente complexidade dos modelos de negócio e a um contexto de instabilidade geopolítica e económica, está a redefinir o valor estratégico de inúmeras funções, para as quais o talento qualificado continua a ser escasso. Face a este cenário, as posições mais bem remuneradas este ano destacam-se tanto pelo nível de especialização que exigem, como pelo impacto direto que têm na tomada de decisão, na mitigação de riscos e na criação de valor a médio e longo prazo.

Assim, o ManpowerGroup destaca as profissões mais bem remuneradas em 2026, permitindo refletir sobre as mudanças nas estratégias de atração e retenção de talento e identificar as áreas nas quais os pacotes de benefícios podem ser decisivos e garantir vantagem competitiva.

Em 2026, o talento continuará a ser o fator decisivo para a competitividade das empresas, mas nem todos os perfis são valorizados da mesma forma. Os cargos de direção exigem experiência consolidada e visão estratégica e, ainda que os salários sejam elevados, a escassez de perfis alinhados com as exigências destas funções permanece um desafio constante. Por outro lado, funções tecnológicas altamente especializadas são cada vez mais estratégicas e, apesar de nem sempre terem níveis de remuneração comparáveis aos da gestão, assumem um papel crítico na inovação e na transformação digital. Em Portugal, a realidade é clara: a remuneração deixa de ser o único fator de atração; flexibilidade, projetos desafiantes e oportunidades de crescimento são hoje determinantes para atrair e reter talento.”, afirma Nuno Ferro, Brand Leader da Experis.

Profissões Mais Bem Remuneradas em 2026:

  • CFO – 90.000€ – 150.000€/ ano

O Chief Finantial Officer (CFO) lidera e supervisiona a área financeira, assegurando a gestão diária e a estratégia de longo prazo. As suas funções abrangem desde o controlo do cash-flow e contabilidade até ao planeamento, gestão de riscos e conformidade.  

Com um papel cada vez mais estratégico, o CFO atua também como conselheiro do Diretor Executivo e do conselho de administração na tomada de decisões, avaliação de oportunidades de investimento e definição de objetivos financeiros da organização a longo prazo. Estabelece, também, uma relação com investidores e stakeholders financeiros baseada em transparência, rigor e credibilidade.

Este é, assim, um cargo que exige uma ampla experiência em gestão financeira, formação avançada em gestão e finanças, bem como competências técnicas diversificadas, como reporting e compliance, para além de soft skills como comunicação, liderança e pensamento estratégico. Por isso, trata-se de um perfil altamente especializado e qualificado, normalmente associado a uma remuneração elevada.

  • CTO/CIO – 70.000€ – 150.000€/ ano

Os Chief Technology Officer (CTO e Chief Information Officer (CIO) são cada vez mais funções essenciais para as empresas, num cenário cada vez mais dominado pela tecnologia. Esta liderança define a visão digital e tecnológica da organização, conduz projetos de modernização, supervisiona sistemas como ERPs e CRM, gere dados, soluções na Cloud, segurança digital e iniciativas de inovação.

Além de uma sólida base técnica, esta função exige a compreensão do negócio e capacidades de liderança, visão estratégica e comunicação, fundamentais para alinhar tecnologia e objetivos corporativos.

Em 2026, os desafios de transformação digital e tecnológico assumem cada vez mais impacto na rentabilidade e futuro das organizações, fazendo desta uma das funções mais bem valorizadas no mercado.

  • Diretor de Engenharia/Diretor Técnico – 90.000 – 130.000€/ ano

A escassez de perfis seniores com experiência consolidada em liderança técnica continua a influenciar a oferta salarial associada ao cargo de Diretor de Engenharia, ou Diretor Técnico. Este profissional é um líder sénior, responsável pela visão técnica, estratégia, execução e gestão de equipas e projetos de engenharia numa organização. Supervisiona orçamento, prazos e qualidade, combinando um elevado know-how técnico com fortes competências de liderança. Esta é uma função que exige formação avançada, como licenciatura ou mestrado em Engenharia (eletrotécnica, mecânica, civil, entre outras), vasta experiência em funções técnicas e de gestão de projetos e equipas, bem competências humanas como liderança, pensamento estratégico, resolução de problemas e comunicação.

Em Portugal há uma procura constante por estes perfis, com oportunidades em empresas de diversas dimensões, desde construtoras a multinacionais de tecnologia, com remunerações alinhadas com a experiência e o setor. Em paralelo, a escassez de perfis séniores com larga experiência impulsiona a subida dos salários nesta função.

  • Diretor de Investment Banking – 75.000€ – 120.000€/ ano

O Diretor de Investment Banking lidera operações financeiras complexas, como fusões e aquisições (M&A), Ofertas Públicas Iniciais (IPO) e emissões de dívida, sendo responsável pela captação de novos negócios e pela gestão da relação com clientes corporativos e investidores. Com um forte foco comercial e estratégico, conduz avaliações e modelação financeira, supervisiona equipas de analistas e banqueiros juniores envolvidos na execução de negócios, para além de garantir a conformidade regulatória. 

Este cargo que requer um mínimo de 10 a 15 anos de experiência, combinando expertise técnica e comercial com liderança, resiliência e fortes competências interpessoais, para poder liderar negócios complexos, gerir relacionamentos com clientes e orientar equipas num ambiente de alta pressão. 

A ampla experiência e especificidade do percurso profissional fazem deste um perfil muito bem remunerado no mercado.

  • CISO – 70.000€ – 120.000€/ ano

O Chief Information Security Officer (CISO) garante a segurança da informação de uma organização, protegendo dados, sistemas e infraestruturas contra eventuais ataques cibernéticos. Define a estratégia de cibersegurança e é o responsável por gerir risco, compliance regulatória (NIS2, CRA, ISO 27001), fornecedores e resposta a incidentes.

O aumento da frequência e da sofisticação dos ciberataques, aliado ao reforço crescente da regulamentação de segurança, tem vindo a exigir que as empresas se foquem cada vez mais em procurar perfis capazes de ocupar esta posição de forte responsabilidade legal e reputacional, o que a coloca entre as mais bem remuneradas em 2026.

  • Cloud Architect – 60.000€ – 95.000€/ ano

O Cloud Architect é responsável por desenhar, implementar, gerir e manter a infraestrutura e sistemas Cloud de uma organização, recorrendo a plataformas como AWS, Azure ou Google Cloud. É uma função que assume um papel determinante na definição e execução das estratégias de cloud, avaliando aplicações, hardware e requisitos do negócio, e traduzindo essas necessidades em soluções escaláveis, seguras e otimizadas em custos. 

Estes profissionais devem garantir a privacidade, conformidade e o desempenho, assegurar a monitorização dos ambientes cloud, resolvendo problemas técnicos, e estabelecer boas práticas de adoção na organização. Nesse sentido, as organizações valorizam cada vez mais profissionais capazes de trabalhar em estreita colaboração com equipas de TI e com as áreas de negócio.  

Com a migração para a cloud a manter-se uma prioridade estratégica para as organizações, como fator chave para impulsionar a escalabilidade do negócio, a redução de custos operacionais e a inovação, os Cloud Architets estão entre os perfis mais procurados em 2026. 

  • Engineering Manager – 65.000€ – 90.000€/ ano

O Engineering Manager lidera equipas de desenvolvimento de software, hardware ou produtos físicos, assegurando que as soluções desenvolvidas estão alinhadas com as necessidades e expectativas do negócio. É responsável pela supervisão dos projetos, devendo assegurar a arquitetura técnica, a integração de soluções de engenharia e a implementação de processos ágeis. Esta função caracteriza-se ainda pelo acompanhamento e desenvolvimento das equipas de engenheiros, pela necessidade de resolução de desafios técnicos complexos e pela contínua articulação com outros stakeholders seniores do negócio.

Com a tecnologia a evoluir rapidamente e a procura por líderes que aliem conhecimento técnico com capacidades de gestão a crescer, esta função torna-se cada vez mais crucial, especialmente em áreas como automação, Inteligência Artificial e desenvolvimento de produtos digitais. 

  • Platform Engineer/Site Reliability Engineer (SRE) – 60.000€ – 90.000€/ ano

Enquanto o Site Reliability Engineer (SRE) se concentra na fiabilidade do sistema de produção, o Platform Engineer é o responsável por criar plataformas internas para programadores com vista a aumentar a sua eficiência . Ambos automatizam tarefas rotineiras e melhoram a entrega de software, com os Platform Engineers a capacitar os programadores, tornando-os mais rápidos e os SREs a garantir o desempenho, muitas vezes utilizando ferramentas partilhadas como Kubernetes e CI/CD. 

Trabalham com DevOps e Cloud, e aceleram o time-to-market dos produtos e novas funcionalidades, garantindo a sua estabilidade. São, por isso, cruciais num contexto em que se verifica o aumento das plataformas cloud-native e em que Service Level Agreement (SLA), uptime e performance são variáveis cada vez mais decisivas nos negócios.  

Estes cargos exigem perfis que combinem conhecimentos sólidos de programação e de sistemas, com experiência em automação, monitorização, gestão e resposta a incidentes, tudo isto apoiado por pensamento crítico, resolução de problemas e excelente comunicação entre equipas para construir sistemas fiáveis e escaláveis .  

Em Portugal, existe uma procura elevada por estes perfis, com várias vagas abertas e dificuldade das empresas em encontrar talento qualificado. Esta procura é especialmente forte para perfis com experiência sólida em cloud, Kubernetes, automação e observability e, apesar de o mercado ser mais pequeno do que em grandes hubs internacionais, existem oportunidades tanto em empresas nacionais como em multinacionais com operações no país.

  • Data Engineering Lead/Principal Data Engineer – 60.000€ – 85.000€/ ano

Os Data Engineering Lead e Principal Data Engineers são responsáveis por desenhar, construir e gerir infraestruturas, plataformas e pipelines de dados em grande escala, assegurando que a informação é fiável, acessível e orientada para a criação de valor. Combinam expertise técnica com liderança estratégica, gestão de equipas e capacidade de comunicação entre áreas funcionais.  

Esta função está a evoluir do profundo conhecimento técnico para uma vertente mais estratégica, centrada na definição de standards, na construção do roadmap das plataformas de dados e na ligação entre tecnologia e objetivos de negócio. No futuro, a evolução deverá reforçar a integração de IA e de arquiteturas cloud-native.

Num contexto em que os dados são a base da analítica avançada e da IA, estas funções exigem, assim, uma elevada especialização técnica, à qual se juntam as capacidades de liderança e de visão estratégica. A procura por estes perfis é particularmente forte em setores de Banca, Indústria, Retalho e Software como Serviço (SaaS).

  • Diretor de Logística – 60.000€ – 80.000€/ ano

O Diretor de Logística planeia, coordena e supervisiona toda a cadeia de distribuição de uma organização, desde a aquisição de matérias-primas até à entrega final ao cliente, gerindo a complexidade das cadeias de abastecimento e a pressão por eficiência logística.

Este cargo, com responsabilidade sobre todas as operações e supply chain, abrange a gestão de equipas, transportes, armazéns e tecnologias para garantir que os produtos certos cheguem ao destino, no momento desejado. Para otimizar custos e salvaguardar a eficiência operacional e a satisfação do cliente, são necessárias competências como visão estratégica do negócio, análise de dados, resolução de problemas, liderança, comunicação e conhecimento de tecnologias e de softwares de gestão. 

Outras profissões técnicas e especializadas bem remuneradas:

A pressão do mercado não incide, contudo, apenas sobre funções qualificadas ou de liderança, com diversas profissões técnicas e especializadas a ter igualmente elevada procura. Em grande parte das áreas, a capacidade de formação de novo talento não é suficiente para colmatar as necessidades das empresas, o que gera um desequilíbrio e, consequentemente, a valorização de funções associadas a escassez de profissionais.

“Em Portugal, o talento técnico e especializado continua a ser altamente valorizado e bem remunerado, refletindo a importância estratégica destes profissionais para a operação e crescimento das empresas. Nesse contexto, as funções apresentadas destacam-se não apenas por figurarem entre as mais bem pagas, mas por serem também aquelas que, atualmente, registam maiores níveis de procura no mercado de trabalho. Mais do que o salário, as organizações reconhecem o papel destes perfis na inovação, eficiência e qualidade, oferecendo oportunidades de desenvolvimento, progressão e impacto real nos projetos. A valorização da experiência e da especialização torna-se, assim, um fator decisivo para atrair e reter talento”, afirma Daniela Lourenço, Brand Lead da Manpower.

  • Encarregado de Obra – 25.300€ – 39.900€/ ano
  • Técnico de Manutenção/AVAC – 21.600€ – 34.400€/ ano
  • Motorista de Pesados Internacional – 21.000€ – 32.200€/ ano
  • Mecânico Industrial – 25.200€ – 29.400€/ ano
  • Programadores de CNC – 22.400€ – 25.200€/ ano

Manpower foi eleita Escolha dos Profissionais 2026 na categoria de “Recrutamento
e Seleção”. Sabe mais aqui


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