As crianças passam cada vez mais tempo no ambiente digital, onde a publicidade surge frequentemente misturada com conteúdos de entretenimento. Para os especialistas, esta realidade levanta desafios acrescidos. Neste episódio do “Minuto do Consumidor”, mostramos quais são os principais riscos e como os pais podem ajudar.

Vídeos, jogos, desafios, filtros e publicações de influenciadores fazem hoje parte do quotidiano de muitas crianças. Mas, segundo especialistas, nem sempre é fácil perceber quando um conteúdo tem uma intenção comercial.

Segundo Mónica Lança de Morais, psicóloga no Hospital Lusíadas Alfragide, as crianças podem ter mais dificuldade em distinguir conteúdos publicitários de conteúdos de entretenimento.

As crianças encontram-se ainda numa fase de desenvolvimento e isso muitas vezes faz com que o nível de maturidade ainda não tenha atingido o seu ponto ótimo, dificultando aqui um processo de distinguir aquilo que é um conteúdo de entretenimento de um conteúdo de publicidade”, afirma.

A especialista alerta ainda para o facto de alguns conteúdos aparentemente inocentes poderem influenciar comportamentos e decisões de consumo. “Muitas vezes um vídeo que possa parecer espontâneo, divertido, pode já estar aqui pensado para influenciar hábitos de consumo e escolhas também”, contextualiza.

A forma como a publicidade chega às crianças também mudou nos últimos anos. “O tipo de conteúdo digital dirigido às crianças hoje em dia está feito de uma forma que é cada vez mais subtil e personalizada através dos jogos, vídeos, também filtros, desafios, e muitas vezes surgem de uma forma sem ser identificada de publicidade“, explica.

Os criadores de conteúdo digital, os influenciadores digitais, as redes sociais hoje em dia têm um grande poder sobre a influência da escolha infantil ao nível do consumo, através da forma como se vestem, daquilo que procuram, da maneira de agir para criar aqui um sentimento de pertença nas crianças”, ressalta Mónica Lança de Morais.

Além das escolhas de consumo, a exposição frequente a este tipo de conteúdos pode ter impacto noutras dimensões do desenvolvimento infantil. Segundo a especialista, a procura constante por validação e comparação pode afetar a forma como as crianças se veem a si próprias e se relacionam com os outros.

Perante estes desafios, a defende que os pais e cuidadores assumam um papel ativo no acompanhamento da atividade digital das crianças.

Além de supervisionarem os conteúdos consumidos, devem criar espaços de diálogo onde seja possível falar abertamente sobre os riscos e benefícios da navegação online.

O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias. Esta iniciativa tem o apoio da Escolha do Consumidor.

Porque consumidores informados fazem melhores escolhas.


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