Os carros elétricos continuam a ganhar espaço nas estradas portuguesas e já representam quase um quarto das vendas de automóveis novos. Mas à medida que aumenta o número de utilizadores, cresce também a importância de saber carregar corretamente a bateria. Alguns erros comuns podem ter impacto na autonomia, no tempo de carregamento e até nos custos da utilização. Descubra quais neste novo episódio do “Minuto Consumidor”

Os veículos elétricos continuam a conquistar terreno em Portugal. Segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), os automóveis 100% elétricos representaram 24,5% das vendas de ligeiros de passageiros entre janeiro e maio deste ano. No total, os veículos eletrificados – que incluem elétricos, híbridos e híbridos plug-in – já concentram 73,7% das vendas neste segmento.

A expansão da rede de carregamento e a evolução tecnológica dos automóveis ajudam a explicar esta tendência. Para Rui Romano, diretor de rede da Moeve Portugal, existe hoje um interesse crescente por este tipo de veículos essencialmente porque há cada vez mais “carregadores espalhados por todo o território, é mais fácil carregar e os carros hoje em dia já têm autonomias que são quase idênticas aos automóveis convencionais”.

Que cuidados devemos ter?

Ter um carro elétrico não significa apenas ligar o veículo à corrente. A forma como a bateria é utilizada e carregada pode fazer diferença na sua durabilidade e eficiência.Segundo Rui Romano, um dos erros mais frequentes é deixar a carga da bateria descer regularmente para níveis muito baixos. “Há muitos condutores que utilizam sistematicamente as baterias abaixo de 20%, 10%, e isso, a médio ou longo prazo, não vai ser bom”, explica.

Outro hábito que pode não ser o mais adequado é carregar constantemente a bateria até aos 100%. O responsável refere que “não se deve carregar acima de 80%”, não só porque isso pode ser menos favorável para a bateria, mas também porque, sobretudo nos carregamentos rápidos, o processo se torna significativamente mais lento a partir desse nível de carga.

A questão dos custos é outra das principais preocupações dos consumidores. Carregar em casa pode representar uma poupança, mas nem todos os utilizadores têm as mesmas condições. Rui Romano explica que essa vantagem depende de fatores como a existência de um local próprio para carregar o veículo e do tarifário de eletricidade contratado. “Se tiver condições para isso e uma tarifa de eletricidade correta, poderá ser mais barato”, afirma.

Já durante as viagens, o planeamento assume um papel fundamental. “Muitos utilizadores têm aquela ideia de que vão numa autoestrada e vão sair dessa autoestrada para carregar num carregador que está a seis ou sete quilómetros de distância, para ser mais barato. Isso é um erro”, explica. O motivo é simples: ao desviar-se do percurso, o condutor gasta energia adicional, perde tempo e pode acabar sem qualquer vantagem económica relevante.

Por isso, recomenda que os condutores planeiem antecipadamente os percursos e identifiquem os locais de carregamento antes de iniciar viagens mais longas. Além disso, destaca que existem cartões e aplicações que podem ajudar a reduzir os custos dos carregamentos.

Compensa apostar nos elétricos?

O atual contexto internacional também contribui para o debate sobre a mobilidade elétrica. A instabilidade no Médio Oriente tem levantado preocupações sobre os mercados energéticos e sobre a evolução dos preços dos combustíveis fósseis. Ainda assim, Rui Romano considera que o crescimento dos veículos elétricos não se explica apenas por fatores conjunturais, apontando sobretudo para a melhoria das infraestruturas de carregamento e para o aumento da autonomia dos automóveis elétricos.A decisão de comprar um veículo elétrico continua, contudo, a depender das circunstâncias de cada consumidor. “Se houver condições para carregar o automóvel em casa, claramente compensa”, defende Rui Romano. Já para quem vive num prédio sem estacionamento próprio e depende exclusivamente de carregamentos públicos, a equação pode ser diferente.

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