A escolha alimentar nos dias de hoje passa, inevitavelmente, pelo comércio, pois o alimento constitui-se mercadoria que é consumida, assim como tantos outros bens e serviços. É de tal forma, que atualmente muitas crianças já definem sozinhas as suas escolhas alimentares, provocando a atenção tanto de empresas como de organizações preocupadas com sua nutrição. Dia Mundial da Alimentação.
Neste dia que “comemora”, se é que este é o termo correto, afinal temos cada vez maior desperdício alimentar e níveis de obesidade, em especial infantil, é importante também perceber o comportamento de compra dos consumidores.
Um consumidor responsável com a sua dieta alimentar deveria informar-se sobre as suas necessidades nutricionais e da sua família e adaptar as suas compras. De acordo com o estudo Escolha do Consumidor 2019, estamos perto disso, mas não ainda sequer a 60%. Num cenário de procura pela sua satisfação com produtos alimentares, os consumidores portugueses são mais adeptos da qualidade dos produtos, termo extremamente subjetivo e que na maioria dos casos destaca o sabor do produto ou a sua frescura, textura ou grau de conservação. Só depois de outros fatores como a relação qualidade/preço do produto e a composição (com foco nos conservantes e químicos) é que lá aparece a importância com factores nutricionais. A verdade é que existe muita iliteracia ao nível alimentar e nutricional nos consumidores dos diferentes estratos socioeconómicos e etários, em especial dos grupos mais desfavorecidos, para as escolhas e práticas alimentares saudáveis, pelo que deveria existir uma maior incentivo de boas práticas sobre a rotulagem, publicidade e marketing a produtos alimentares.
Outros dos pontos que o consumidor favorece é o aspeto prático e funcional na utilização dos produtos, permitindo-lhe ganhar mais tempo na cozinha e facilitando o processo de confecção e conservação. Aqui destaque para a abertura dos consumidores à inovação, onde 91% revela estar disposto a adquirir produtos novos e 76% dispostos a pagar mais por esses mesmos novos produtos.
A preocupação por produtos biológicos, é crescente, mas ainda pouco significante. Cada vez menos significante, ou sem importância para a compra, é a notoriedade da marca, os tamanhos e design das embalagens, a oferta de produtos sem glúten e as promoções frequentes.
Em suma, o consumidor português busca diversidade e qualidade, mas está longe de ter em conta no ato de compra os estímulos ambientais.
Por isso num dia como o de hoje, em que se comemora a Alimentação, deveremos também refletir no que ela significa para o planeta. E um consumidor responsável deverá ser aquele que assume os seus múltiplos papéis: de cidadão, trabalhador, ativista, pai, etc… recorrendo aos seus atos de consumo para contribuir para um modelo socioeconómico mais respeitador do planeta e dos seus habitantes. Um consumidor que deveria escolher produtos não só com base na sua qualidade, mas também pelo seu impacto ambiental e social, pela conduta das empresas que os produzem, ocupando assim o seu lugar central na sociedade.


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